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A Monte* é uma mineradora multinacional brasileira reconhecida como uma das maiores do mundo. Com um time que ultrapassa 100 mil profissionais, a empresa demonstra um compromisso genuíno com segurança, desenvolvimento e capacitação contínua.
Em 2024, após uma série de workshops internos, a Monte definiu como prioridade revisar e aprimorar treinamentos já existentes e também internalizar parte das formações. Duas trilhas estratégicas se tornaram o centro desse movimento: Mecânica de Mina e Operação de Equipamentos.
Nesse contexto, o time da Arrow*, onde eu atuava como designer instrucional, foi convidado a conduzir essa transformação. O projeto tinha grande complexidade. Envolvia nove meses de trabalho intenso e mais de cem entregas previstas, todas alinhadas às necessidades técnicas e humanas dos profissionais que atuam diariamente na operação.
A demanda foi organizada em duas trilhas que tiveram início em abril e precisavam ser concluídas até dezembro, de acordo com o cronograma estabelecido. No total, foram encomendados 40 treinamentos que, inicialmente, deveriam conter cerca de 100 telas cada. Para cada um deles, também foram solicitados uma apostila com média de 40 páginas, um plano de ensino e um conjunto de avaliações compostas por duas ou três provas, cada uma com dez questões inéditas.
Começamos com reuniões detalhadas para reunir as informações essenciais ao planejamento das trilhas. A partir dessas conversas, percebemos que o projeto era ainda mais desafiador do que previsto, tanto pelas particularidades técnicas quanto pelas implicações operacionais e humanas envolvidas.
O escopo inicial previa a entrega dos treinamentos apenas em HTML. Contudo, após as primeiras versões, surgiu a solicitação de disponibilizar o material também em formato .ppt. Isso exigiu não só a entrega em dois formatos, mas também a adaptação completa dos arquivos em .ppt para garantir que fossem totalmente funcionais mesmo após a remoção de recursos avançados. Essa etapa demandou cuidado extra para manter a navegação, o visual e a usabilidade alinhados ao padrão desejado pela empresa.
Realizamos, então, o estudo e o planejamento das trilhas, considerando os seguintes pontos:
Contexto
As trilhas seriam disponibilizadas na plataforma interna da Monte.
Os treinamentos ocorreriam em salas equipadas para projeção.
As aulas seriam ministradas por instrutores e, em alguns casos, incluiriam práticas em campo.
Parte do material bruto já existia; outra parte ainda seria levantada e passaria por curadoria.
Haveria encontros para alinhamento e validação dos conteúdos.
Não houve contratação de vídeos ou áudios, então esses formatos não seriam produzidos.
Poderiam ser utilizados vídeos já existentes no acervo interno ou em fontes externas.
Público-alvo
Profissionais com idades entre 24 e 60 anos, em média.
Escolaridade mínima de nível médio ou técnico, conforme a função.
Experiência prévia na área, o que trazia certo domínio dos temas.
Pessoas distribuídas em diversos estados do país.
Público com baixa adesão a leituras longas.
Objetivos
Trilha Mecânico de Mina
Capacitar mecânicos para atuarem na manutenção de máquinas e equipamentos diversos, com foco nos sistemas e seus funcionamentos, a fim de facilitar a identificação de problemas de mecânicos diversos.
Trilha Equipamentos
Apresentar e orientar operadores quanto ao uso de máquinas e equipamentos presentes nas frotas da empresa, para que realizem suas atividades com preparo e segurança.
Implicações
A linguagem precisaria ser simples, direta e objetiva, considerando o perfil do público.
O conteúdo seria desenvolvido no iSpring, em HTML e PowerPoint simplificado.
Apostila e treinamento atuariam de forma complementar.
O cronograma apertado exigia planejamento rigoroso e divisão/programação precisa de tarefas.
Havia lacunas no conteúdo fornecido e resistência no envio de novos materiais.
A trilha de equipamentos demandava atualização contínua devido às diferenças entre frotas das unidades.
Com as necessidades bem definidas, estruturamos as equipes responsáveis pela produção. A Arrow disponibilizou um líder técnico, três designers instrucionais e dois designers gráficos para conduzir o desenvolvimento dos materiais. Também contamos com o suporte direto da equipe da Monte, que indicou dois supervisores e vários especialistas da área. Esses profissionais foram essenciais para fornecer conteúdos atualizados, apoiar a curadoria e validar cada etapa dos treinamentos.
O material bruto recebido era extenso e variado, o que exigiu uma rotina constante de reuniões para estudo, alinhamento e aprovação conjunta entre as equipes da Monte e da Arrow. Também era necessário acompanhar cuidadosamente os volumes contratados, já que, inicialmente, não havia previsão de acréscimos de telas ou páginas. Esse controle ajudava a manter o projeto dentro dos limites pactuados e evitava retrabalhos.
As equipes técnicas da Monte estavam distribuídas em diferentes estados, conduzindo treinamentos presenciais e outras atividades essenciais. Por isso, a disponibilidade dos especialistas para curadoria e validação era limitada, o que tornava o processo de consenso entre mais de vinte profissionais ainda mais desafiador. Mesmo assim, essas etapas foram indispensáveis para garantir precisão técnica e aplicabilidade prática aos conteúdos.
A metodologia de trabalho da Arrow previa uma validação após o storyboard e outra após a produção da peça final. Contudo, o cronograma apertado demandou ajustes. Reduzimos o número de ciclos de validação e otimizamos cada etapa para que o cliente pudesse concentrar seus esforços nas análises mais críticas sem comprometer a qualidade.
Também enfrentamos resistência em complementar materiais que não estavam completos ou não cobriam todos os temas necessários. Em muitos momentos, além de produzir, precisávamos buscar referências altamente específicas para suprir lacunas, o que ampliava o tempo de desenvolvimento dos storyboards.
Depois das primeiras entregas, o volume de revisões, ajustes e novas demandas cresceu significativamente. Para cumprir os prazos estabelecidos, tornou-se essencial uma gestão rigorosa, com organização detalhada e acompanhamento constante de todas as frentes de trabalho.
Com o levantamento de necessidades concluído e o planejamento bem estruturado, iniciamos a fase de produção. Cada elemento foi selecionado de forma estratégica, considerando as limitações de tempo e recursos, mas também o impacto que poderia gerar na experiência de aprendizagem. A intenção era construir materiais funcionais, claros e alinhados aos objetivos das trilhas, sem perder a qualidade ou a aplicabilidade no dia a dia dos profissionais.
A seguir, estão alguns dos recursos utilizados no desenvolvimento dessas trilhas.
Em setembro concluímos a trilha de Mecânica de Mina e, em dezembro, finalizamos a trilha de Equipamentos. Todos os treinamentos foram entregues em HTML e também em arquivos .ppt navegáveis. O iSpring foi a ferramenta central da produção, oferecendo diferentes formatos de atividades de fixação que foram aplicadas em todos os conteúdos. Além disso, cada treinamento contou com sua apostila correspondente, de duas a três avaliações utilizadas no pré e pós-teste, além do plano de aulas estruturado.
Na trilha de Equipamentos, desenvolvemos uma solução especialmente útil para lidar com a diversidade de frotas entre as unidades da empresa. Criamos um material editável como anexo, permitindo que os próprios instrutores especialistas ajustassem as informações conforme a realidade de cada local.
Também tivemos acesso aos resultados de oito treinamentos da trilha de Mecânica de Mina que, até então, eram aplicados externamente pelo fabricante e passaram a ser desenvolvidos para uso interno. Esses dados ofereceram uma visão importante sobre o impacto das novas entregas. Confira a seguir.
Durante o evento de apresentação, os instrutores especialistas demonstraram uma satisfação genuína com os resultados. Alguns, com mais de trinta anos de casa, comentaram que nunca tinham visto materiais tão bem construídos, com o nível de cuidado, qualidade e padronização que conseguimos alcançar. Esses relatos reforçaram não apenas o impacto do trabalho, mas também o empenho que toda a equipe dedicou ao projeto, mesmo diante dos inúmeros desafios enfrentados.
Em outras conversas, ouvimos que a empresa já havia contratado fornecedores cujas soluções não alcançaram os resultados esperados. Nesse contexto, o retorno positivo recebido mostrou o quanto as escolhas metodológicas, o processo de curadoria e a atenção aos detalhes foram determinantes para a efetividade das trilhas. Ficou claro que o trabalho colaborativo entre as equipes da Monte e da Arrow fez toda a diferença para a qualidade final das entregas.
Para otimizar o tempo da equipe de produção da Arrow, iniciei a criação de uma estrutura detalhada que organizava a ordem e o propósito de cada material utilizado. Essa base permitiu que os especialistas aprovassem e complementassem os conteúdos sem a necessidade de grandes revisões após o storyboard. Essa organização trouxe mais agilidade e reduziu retrabalhos.
Outra ação importante para lidar com a escassez de tempo foi eliminar a etapa de aprovação anterior à produção. Como o volume de entregas era alto e a estrutura já estava validada, trabalhamos com templates padronizados criados em parceria com o time de design. Com isso, os designers instrucionais passaram a inserir diretamente as informações nos modelos, e os designers gráficos realizavam apenas ajustes finos. Esse fluxo encurtou significativamente o tempo total de produção e concentrou a validação em uma única etapa, que quase sempre demandava poucas alterações.
Mesmo sem recursos audiovisuais produzidos especificamente para o projeto, conseguimos encontrar caminhos criativos. Reaproveitamos materiais já existentes e exploramos ao máximo os recursos do iSpring para deixar as trilhas mais dinâmicas. As animações, ainda que simples, ajudaram a trazer ritmo e interatividade, tornando os conteúdos mais envolventes.
Os encontros semanais também foram essenciais para resolver pendências, esclarecer dúvidas e contornar a dificuldade recorrente no envio de novas informações.
Gerenciar um projeto dessa amplitude representou uma verdadeira transformação para mim. As entregas constantes, o grande fluxo de produção, as etapas de validação e a coordenação de tantos profissionais exigiram organização, clareza e um acompanhamento contínuo. Foi um desafio singular, no qual consegui exercer um controle preciso sobre todos os recursos envolvidos.
A inteligência emocional foi igualmente importante para lidar com conflitos e situações típicas de projetos complexos. Consegui construir uma relação muito positiva com o cliente, e o feedback final mostrou o quanto evoluímos juntos ao longo desse processo.